segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Performance "Batendo Ponto"



BATE PONTO, PONTO BATE, BATE PONTO, PONTO BATE.




A concepção da performance "Batendo Ponto" surgiu através de uma das relíquias da Escola de Arquitetura, que fica num canto esquecido do edifício, e passa quase que despercebida por todos os estudantes e frequentadores do prédio: o relógio de ponto. Por um longo tempo, esse local foi passagem obrigatória de todos os funcionários da escola. E por esse motivo, é carregado de uma subjetividade sentimental, ou seja, cada indivíduo que passa por aquele lugar carrega consigo emoções próprias e únicas, provenientes de suas experiências de vida.

A idéia original partiu exatamente desse ponto: todos os dias as pessoas que chegam ali no início ou no término de sua jornada de trabalho, passando pelo local para cumprir a sua obrigação de “bater ponto”, se encontram em um estado de espírito diferente. Estado de espírito este, que é claramente caracterizado pela expressão facial de cada um. Alegria, tristeza, preguiça, pressa, desânimo, enfim, frente à máquina é possível se verificar uma verdadeira multiplicidade de faces. Sendo assim, planejávamos nos organizar em fila e ao “clec” do cartão sendo marcado encenaríamos uma dessas faces características que pelo menos 1 vez por dia se deparam com o equipamento em questão.

Formado por 6 integrantes o grupo aprimorou e incrementou a idéia original dando como resultado a performance nos vídeos que serão postados em breve. Não me cabe a função de explicar com detalhes a mensagem que esperávamos passar. Até porque ao contrário do que pensávamos anteriormente, o recado foi dado e captado com sucesso. Mas fato é que a performance desencadeia uma série de reflexões interessantes...


  • Será que o abandono dos relógios bate-ponto analógicos e a ascensão dos digitais acarretou também uma melhoria nas condições de vida das pessoas que precisam passar por esse ritual todos os dias?

  • Até quando somos capazes circular por essa fila sem se encurvar diante da rotina?

  • Quando o som emitido por essa máquina e que caracteriza a mecanização dessa ação deixa de ser notado e passa a ser como o som de um tambor que ressoa apenas em nossas consciências?

Às vezes não paramos para pensar nos inúmeros significados que possuem as ações que praticamos corriqueiramente. Se parássemos, talvez não as praticássemos com tanta freqüência assim.

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